sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Universo paralelo



Tanto tempo sem escrever me dá a sensação de quem costumava escrever era outra pessoa, em uma outra vida que está muito longe daqui. Talvez seja verdade e o mais chocante é que atualmente eu realmente não me importo se tiver que aceitar o fato de que escrever era coisa de um momento que passou.
Hoje tenho outras manias, outras obsessões que não cabem aqui. O tempo também é sempre curto, já que estou tendo que lidar com situações que não imaginava poder encarar sem ficar completamente maluca e , tirando uma surtadinha aqui e ali, uma crise de choro convulsivo de vez em quando, até que estou conseguindo levar...
No entanto, nada disso importa, pois o motivo que me fez dar uma escapada até aqui é bem particular. Coisa minha mesmo, daquelas que muito provavelmente ninguém vá entender, mas que eu sei que vou gostar de ter registrado quando voltar a ler estas linhas.
Bom, eu tenho meus universos paralelos habitados por grupos de pessoas que são ou me foram muito queridas e hoje me dei conta que uma amiga partilha da mesma sensação que eu. Há uns três anos atrás estávamos exatamente em lugares opostos e hoje ela frequenta um dos meus universos enquanto eu faço parte da realidade que ela habitava naquela época. Uma pena que não estamos no mesmo lugar na mesma hora, mas talvez o universo não desse conta de duas de nós ao mesmo tempo....Seria uma explosão atômica.
O que me deixa feliz nisso tudo, embora eu não deseje essa montanha-russa a ninguém, é que ela é a única pessoa que poderá entender exatamente como me sinto em relação a um monte de outras coisas. Sei que nenhum amigo meu irá me julgar pelas minhas atitudes um tanto estúpidas, mas esta amiga em especial, além de não me julgar, é a única que fala a mesma língua que eu. É um alívio enorme saber que em algum lugar existe alguém que passou por situações muito parecidas e tomou atitudes semelhantes, sejam estas atitudes positivas ou não.
Enfim, ela está onde eu estava há um tempo atrás e tenho certeza que enquanto estiver por lá, não vai querer sair. Eu também não queria, embora soubesse que tinha que voltar ( sei lá porque!). Talvez tivesse que voltar porque o corpo iria sucumbir se continuasse no ritmo frenético da euforia. Talvez porque no fundo ainda existia um senso de responsabilidade.... Ela também vai ter que voltar, mas aí, ao menos, eu vou estar do lado de cá no caso dela precisar de ajuda para se sintonizar novamente.
Papo de maluco, eu sei.
Fim de ano chegando... primeiro verão depois de algum tempo. Minha cabeça já está no ano que vem, mais precisamente, em alguns anos passados.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Desencanto


Esse poema caiu na minha prova para análise. Gostei muito.
Desencanto
Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Papo Furado


O tema da semana no curso que estou fazendo, é crônica. Eu achava que crônica era minha praia, até que percebi que escrevo contos melhor do que crônicas. Mesmo assim, eu sou apaixonada pelo estilo, principalmente quando essas tem um tom escrachado, uma análise mais sarcástica dos fatos cotidianos.
Walcyr Carrasco está entre meus favoritos. Me identifico com tudo que ele escreve e esta crônica eu li no semestre passado, mas não tinha achado até então.
Bom, aqui está. É ele quem conta a história, mas poderia ter sido qualquer um de nós, por isso é tão sensacional.
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Estou no dentista. Boca escancarada. Motorzinho ligado. Ele desanda a falar. Conta do fim de semana. Pergunta:

– Você também já foi para Ilhabela? Em que pousada ficou?

– Grrrrrrrr – respondo.

– Cuidado, não feche a boca.

– Grrrrrr – continuo.

Mais perguntas e novos grunhidos. Quando se afasta um segundo, tento dizer:

– Faz tempo que não vou para Ilhabela, eu...

– Não feche a boca!

Corre, alucinado, para secar meu dente. Parece que cometi um crime. Não há nada mais injusto. Ele fala, fala, conta a vida, aventuras... e sou obrigado a grunhir! Fico pensando: por que dentistas têm a mania de bater papo, se o paciente não pode retrucar?

Motoristas de táxi também adoram falar. Dedicam-se a dois assuntos preferenciais: o tempo e o trânsito.

– Esfriou.

– Hum, hum – respondo.

– Está tudo parado.

– Hum, hum.

Abro um livro, para me refugiar. Que adianta? Inevitavelmente, o taxista continua:

– Agora pouco passei por aqui e a rua estava livre...

Depois de milhares de conversas sobre o clima e os congestionamentos, queria ter o direito de ficar em silêncio.

Até em avião o silêncio anda difícil. Outro dia estava no fim de um romance policial. A mocinha do meu lado sorriu:

– Esse livro deve ser bom. Está lendo com tanta atenção.

– É, sim.

– Também adoro ler.

– Ótimo.

– Qual é o título, deixa ver?

Aterrissamos sem que eu conseguisse descobrir o assassino!

Elevador, nem se fala! Entro, um grupinho está conversando. O mais animado conta uma piada horrenda. Todos às gargalhadas. Olham para mim, confraternizando, querendo que eu ria! Continuo sério. Todos me observam, com antipatia. Como se fosse o conde Drácula. Isso quando não há dois ou três grupinhos animados!

Cortar cabelo é o caos. Sou obrigado a tirar os óculos. Não dá para fingir que estou lendo. O cabeleireiro conversa comigo olhando para o espelho. Para enxergar minha reação. Mas é estranho falar com alguém através do espelho. Adora falar sobre o casamento e comentar as aventuras amorosas do outro cabeleireiro ao lado. Fala alto, para o outro ouvir, na minha orelha! Fofoca:

– Ele está apaixonado.

– Não estou não, só quero farra! – grita o outro, tesourando os cabelos do cliente.

A conversa continua.

– No fim de semana vou para minha cidade, em Minas.

Por aí segue... Faz um relatório sobre sua vida afetiva, familiar e geográfica.

Pior ainda quando o massagista resolve conversar. Estou esticado, pronto para entrar no nirvana. Ele começa:

– Tem ido para o Rio?

Ou:

– Comi um doce de mamão verde que você nem imagina...

– Ahn, ahn.

No final, estou mais exausto do que quando começou. Só de ouvir. Ele comenta:

– Não costumo falar durante a massagem, mas o papo estava ótimo!

Socorro! E pessoas desconhecidas que puxam conversa pelo telefone? Ligo para um conhecido. A secretária atende.

– Sabe que outro dia estava pensando no senhor? Faz tempo que não telefona. Estava viajando?

– Não, é que ando sem tempo.

– Ah, eu também estou numa correria...

Fala da família. Dos filhos, do custo de vida...

As pessoas parecem ter horror ao silêncio. Mas em certos momentos é bom ficar quieto, meditar sobre a vida, deixar os pensamentos correrem. Às vezes, penso que, assim como existem placas de "É proibido fumar", em alguns lugares, poderia haver as de "É proibido falar". Um amigo me lembrou de uma frase atribuída a Tom Jobim. Foi ao barbeiro (naquele tempo era barbeiro), que perguntou:

– Como quer o corte?

E o Tom:

– Sem papo!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Excessos, fanatismo e obsessão


O título já diz tudo e, embora sejam três palavras, para mim estão muito próximas, se não forem sinônimos.
Ao longo de toda minha vida, eu tenho aprendido que buscar o caminho do meio é sempre a melhor saída seja lá para o que for. No meu caso, variando entre extremos tão opostos, trilhar o caminho do meio não é nada fácil, mas tenho percebido que o meio-termo não é fácil para ninguém.
O limite entre o que é considerado "normal" e "aceitável" para o comportamento fanático ou obsessivo é muito subjetivo, sendo assim, se torna ainda mais difícil sabermos se passamos ou não da linha.
Por conta da bipolaridade, eu mesma acabei me impondo limites de forma que eu pudesse identificar com mais facilidade caso eu estivesse indo para o lado de cima ou de baixo e acredito que isso tenha me proporcionado uma certa habilidade para detectar pessoas que tenham um comportamento que beire o extremo, assim, eu posso tratar de me afastar o quanto antes.
Recentemente, me envolvi em um mal-entendido com um colega de classe por conta de religião. Logo eu, que sou uma pessoa que tem amigos de quase todas as religiões, me pego agora sendo chamada de anti-Cristo por um senhor fanático que se diz cristão. Descobri também que, além de fanático, é conspiracionista, o que me faz querer manter uma distância ainda maior de sua pessoa.
Eu não costumo me envolver em briguinhas e quando isso acontece, eu procuro desfazer o nó o quanto antes, pois se tem uma coisa que não gosto, é pensar que existe alguém que fica me enviando vibrações negativas e criando um mal-estar toda vez que me vê.
Caramba, sou uma pessoa tão legal e você que tá lendo esse post, com certeza sabe disso. Não me lembro de ter tido um único inimigo em toda minha vida, e embora a palavra soe forte e dramática, é exatamente isso que o tal senhor vê em mim: um inimigo.
Tudo começou por conta de um comentário meu a respeito das citações do tal colega. Eu curso Letras, não Teologia, mas grande parte dos alunos do meu curso é Evangélica. Até ai, tudo bem, porque a religião deveria pouco importar quando o assunto é educação. O colega em questão tem o hábito de usar citações da Bíblia em todas as suas postagens, citações que não tem nada a ver com o tema proposto. Eu, na maior inocência, comentei que ele estaria fugindo do tema e que o excesso de citações do Evangelho, deixava seus comentários previsíveis.
Para que, né? Agora, ele publica em todos os fóruns que apesar dos odiadores do livro sagrado de plantão (leia-se moi )ele irá continuar defendendo a Bíblia, pois graças a ela que seu casamento "flutua" ( palavras dele) há 24 anos. Será então, que se não fosse pela Bíblia, ele iria espancar a mulher? Porque eu acredito que nossas atitudes devem ser norteadas pelo bom senso, não por um livro. Se for assim, ele está dizendo que no fundo ele não presta, que precisa de alguém lhe dizendo o tempo todo o que é correto. Eu me pergunto quando foi que eu disse que era anti-Cristo ou anti-Bíblia! Que saco!
Eu, vendo que a polêmica não teria fim, tratei de me desculpar humildemente, quase uma humilhação pública e agora pergunto a vocês se o espírito Cristão dele já me perdoou ( a resposta é NÃO!). Além de não perdoar minhas palavras, ele continua fazendo minha caveira como anti-Cristo, ignorante, e otras cositas mas.
Ah, não bastando, ele publica em um fórum de faculdade que existe uma grande conspiração desde 1776 e que hoje é formada pelas grandes multinacionais, que tem como objetivo EXTERMINAR uma fatia da população, mas que nós, ignorantes, desconhecemos porque estamos ocupados demais com nossos valores vazios e superficiais.
Onde foi que fui me meter???? Ele ainda afirmou em um outro fórum que já foi agressor e que agora está do lado de Jesus. Como ele já tem uma certa idade e é argentino, fico imaginando se ele não é um ex-torturador exilado... Ao menos vocês já sabem, que se algo me acontecer, já teremos um suspeito, rs...
Apesar do tom de brincadeira, pessoas como ele me assustam d everdade, porque são esses fanáticos que se explodem, matam milhares em nome de um Deus que duvido queira ter alguma coisa a ver com isso.
Cadê a compaixão? Cadê o "amai-vos uns aos outros como eu vos amei"?
Enfim, vamos torcer para que ele não ache isso aqui, né? Mas eu duvido muito.
Aliás, eu não tenho mesmo nada contra ninguém, só contra os fanáticos, extremistas, obsessivos, não necessariamente nesta mesma ordem.

sábado, 21 de agosto de 2010

Crap!

Crap mesmo, para não escrever coisa pior, mas crap ao menos tem um som bem-humorado, ao contrário de todos os outros palavrões que costumam passar pela minha cabeça no fim do dia.
Sábado é definitivamente o dia mais esperado da semana e ainda bem que a noite existe para eu possa aproveitá-lo um pouquinho melhor.
É assim: o dia acaba e com ele muitas vezes acaba minha vontade de viver, mesmo... É dramático, eu sei, mas como já mencionei antes, tired of being tired! Life does suck sometimes!
O que me consola é que tudo isso é passageiro... Não sei se melhora, mas tenho a esperança de que sim.
O segredo continua sendo o mesmo: só por hoje, um dia de cada vez... Não posso me dar ao luxo de fazer grandes planos ou ter grandes pretensões, mas tudo bem, afinal, estar estável, sem ter nenhuma crise mais séria já está de bom tamanho.
Um dia eu tentei me convencer de que o fato de ser bipolar não faria muita diferença na minha vida e que eu não levantaria bandeira alguma e coisa e tal... Bullshit! Faz toda a diferença... Eu gostaria de acreditar que não, mas infelizmente minhas escolhas são feitas de modo eu consiga me manter estável o máximo de tempo possível e sem tomar os remédios. Isso é positivo, porque eu tenho consciência ( por experiência própria ) que poderia ser tudo bem pior.
Eu estou aqui, enquanto outras pessoas com o mesmo problema estão internadas ou contidas ou sofrendo com os efeitos colaterais dos medicamentos ou fora do ar por causa dos mesmos.
Não é fácil. Sei que deveria estar agradecida por ter consciência de tudo isso e por conseguir lidar com o problema como tenho feito, mas muitas vezes dá vontade de desistir, geralmente quando chega a noite e me dou conta de que talvez eu não esteja de fato dando conta de nada...
"Você consegue" é o que dizem. Fácil falar quando não usam os mesmos sapatos e eu sei, nossos problemas são sempre maiores, mas e dái? Se eu não der atenção aos meus, quem irá?
Bom, é isso... vomitei minhas abobrinhas mais uma vez e agora vou dormir melhorzinha, as usual.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Minhocas na cabeça


Ela não acreditava que estava prestes a vivenciar a mesma cena que assistiu repetidamente por anos antes de seus pais se separarem. Ela sentada de um lado da cama e ele, no outro lado, ambos de costas um para o outro. Pensou que poderia escapar de tudo isso.
— Precisamos conversar – ele disse
Pelo seu tom de voz ela sabia que não poderia ser coisa boa. “Precisamos conversar” vem sempre seguido de “Não dá mais”, “conheci outra pessoa”...
Lembrou de tudo que passaram juntos e de como não poderia esperar por esse momento, não agora, não hoje que finalmente descobrira que estava grávida.
Ela tinha certeza que estavam bem e nada havia acontecido recentemente que indicasse o contrário. Ainda ontem ele a olhou com tanto desejo e lhe disse que nunca esteve tão linda. Fizeram amor como havia tempo não faziam e ela teve certeza que nada poderia os separar. Tolice.
— Espera! – ela disse – antes de você dizer qualquer coisa, me deixa tomar um banho, assim conversamos com mais calma, ok?
— Tá,tudo bem.Vai lá.
No caminho para o banheiro, passou na cozinha e apanhou uma faca. Ela sabia que não tinha estrutura para reviver o pesadelo de brigas que vivera com seus pais, não com uma criança a caminho.
Enquanto enchia a banheira suas lágrimas caiam quase que com a mesma velocidade com que caia a água. Mil coisas passavam por sua cabeça:
— O corte é vertical ou horizontal? - pensou
Não chegou a considerar escrever uma carta de despedida. Para que? Depois que estivesse morta, não faria mesmo diferença.
Lembrou do dia que se conheceram e se deu conta que já havia 15 anos que estavam juntos. Sabe que se a deixasse, nunca seria tão feliz como foi enquanto esteve com ele. Nunca brigaram e até hoje ela tinha certeza que tamanho amor e harmonia poderiam durar para sempre. Imaginou como seria quando o bebê chegasse e percebeu que seu choro agora era convulsivo.
Recordou cada momento que tiveram juntos: o primeiro beijo no carro após o show de rock, a primeira vez que dormiram juntos quando os pais dele viajaram, o primeiro orgasmo, os planos para o futuro, os medos, as tantas alegrias... O que ele iria dizer aos familiares? Será que iria chorar muito? O que pensariam os amigos?
Entrou na banheira. A água morna e todo vapor que se formara no banheiro não conseguiam fazer com que relaxasse. Obviamente não era algo fácil de fazer.
Pensou em sua mãe que havia se mudado para outro estado e ficou ainda mais triste ao perceber que ela não veria o neto ou neta que tanto queria.
A lembrança da infância voltava. A mesma cena: os pais no quarto, de costas um para o outro após uma discussão violenta. Nunca entendeu porque nunca havia visto os pais se abraçarem, beijarem ou manifestarem qualquer forma de afeição um pelo outro. Questionava-se desde muito pequena se ela seria a culpada pelas constantes brigas dos pais.
E os carnavais?Adorava carnaval quando criança. Sua mãe ficava em tal estado de euforia que começava a confeccionar as fantasias com meses de antecedência. As suas e as da filha. O pai nunca participou de nenhum carnaval. Preferia ficar em casa. Nunca saia. Nunca viajava. Nunca nada.
Olhou para a faca mais uma vez e se perguntava se teria mesmo coragem e enquanto decidia continuou a lembrar de sua vida.
Pensava na avó e como quase ficou louca morando com ela durante seis meses... Já fazia tempo, há pelo menos 10 anos atrás. Ela tinha aquele relógio cuco insuportável que marcava cada hora com uma música mais irritante que a outra. Chegara a esconder o relógio algumas noites, mas a avó acordava cedo demais e reclamava da ausência do seu objeto tão estimado. Foi quando decidiu que era hora de morarem juntos:
— Não agüento mais morar com a minha avó. Vou procurar um apartamento para alugar.
— Agora não dá. Lembra que ainda estou pagando o carro?
— Não quero saber. Eu vou... Se vier comigo, melhor, se não, vou sozinha!
E assim se mudaram para o primeiro apartamento. Os primeiros móveis, o primeiro bichinho de estimação: uma gatinha encontrada no Jardim Botânico da cidade.
— Nossa!Essa gata está velha!- pensou.
Olhou a faca e então a porta se abriu. Ela soltou a faca na banheira antes que ele percebesse.
— O que foi? Estava chorando?
— Não é nada, acho que estou ficando gripada – disse tentando disfarçar as lágrimas — O que foi?
— Sua mãe ligou. Disse que recebeu sua mensagem no celular e me deu os parabéns, não entendi nada.
Naquela hora lembrou que havia enviado uma mensagem para o celular de sua mãe, anunciando a gravidez.
— Ah, ela deve estar louca. Você não conhece minha mãe?
E realmente não era algo difícil para ele conceber. Sua sogra era mesmo dada a certa confusão, mas isso não a tornava menos divertida. Sempre gostou muito dela.
— Hum... Tá. Olha, já que estamos conversando, eu precisava te falar.... Eu não estou muito bem e você deve ter percebido. Por isso disse que precisávamos conversar.
Ela então não conseguiu conter as lágrimas que insistiam em cair novamente.
— Não precisa chorar, amor. Não é nada muito sério.
Ele a havia chamado de “amor”. Não se chama uma mulher de amor quando se está prestes a dizer que não a quer mais. Ela estava ainda mais confusa.
— Olha, é que meu chefe está afastado e estamos envolvidos num projeto muito grande. Eu vou ter que ficar no lugar dele até ele voltar e nossa, já estou tão cansado, mas talvez isso signifique que eu tenha que ficar até mais tarde no escritório, por alguns meses. Eu sei que você fica p... da vida com isso, que acha que eles estão me explorando e tudo mais, mas veja pelo lado bom: eu vou receber as horas extras e quem sabe no final do ano a gente consiga fazer aquela viagem.
Ela então chorou com mais vontade, o que o deixou muito assustado. Ela se sentia estúpida de ter imaginado tanta besteira. Será que estava tão sensível por conta da gravidez?
— Amor, o que foi que eu fiz? Disse alguma coisa errada? São só alguns meses, eu prometo!
Ela então tirou a faca da banheira. Ainda chorava convulsivamente e tremia muito.
Quando viu a faca ele não entendeu nada e num impulso conseguiu tirar a faca da mão dela e a abraçou. Acabou caindo na banheira, de roupa tudo tentando entender o que estava acontecendo.
Ela então o olhou e disse:
— A faca eu tinha trazido para abrir uma embalagem de creme que não conseguia abrir... Não encontrei a tesoura e depois acabei esquecendo aqui.
— Mas porque está chorando desse jeito?Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu sim, você vai ser pai.
Nesse momento, ele a olhou com tamanho amor que ela nem lembrava quando fora a última vez que alguém a olhara desse jeito. Beijaram-se e ele disse:
— Hoje você está fazendo de mim o homem mais feliz do mundo. Eu te disse ontem o quanto você estava linda, está vendo só?É como se alguma coisa em você tivesse mudado. Agora você está mais linda ainda, mesmo com esses seus olhos inchados de tanto chorar.
Ela riu e o abraçou como se nada no mundo pudesse separá-los. Se amaram ali mesmo, na banheira, em meio à faca, às lágrimas e a promessa de que tudo se resolveria dali em diante.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Tamarindo


SAUDADES DE MAINHA!

Estou eu e minha mãe na balsa de Porto Seguro e um vendedor de sorvetes passa anunciando picolé sabor tamarindo.
Eu, que nunca tinha ouvido falar de tamarindo, a não ser nos episódios do Chaves, perguntei:
- Mãe, você já viu tamarindo?
- Tamarindo?
- É. O cara ali tá vendendo sorvete de tamarindo. Não sei por que imagino que seja roxo.
-Ah... Sim. Não é roxo não. É amarelinho, com uma casca aveludada e uma noz dentro. Lembra muito um pêssego.
- Mesmo?
- Ahan.
Não falamos mais no assunto até chegármos em casa e eu fui o resto do caminho tentando imaginar a cara da tal fruta.
Chegando em casa, ela abriu a geladeira e pegou um caixa de suco de nectarina.
- Olha aqui a nectarina. Não disse que parecia um pêssego! – mostrando a foto da embalagem
- Não te perguntei da nectarina. Perguntei se já tinha visto um tamarindo.
- Ah! Tamarindo.... Esse eu não conheço não.
-...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Sacrifício




Alberto chega ao lugar combinado se perguntando se o deixariam entrar, afinal, estava quase uma hora adiantado. Bate na porta e um vulto feminino aparece. Ela o deixa entrar sem nada dizer e ele sem nada entender, a segue até os fundos da casa, imaginando o motivo pelo qual alguém usaria vestes longas com capuz num dia quente como aquele.
Nunca havia estado lá antes. A casa era grande, mas parecia estar abandonada há muito tempo. A madeira antiga emitia sons estranhos conforme as pessoas andavam pelos cômodos. Sentia-se um cheiro forte de incenso misturado ao mofo que devia ter tomado conta dos móveis. Teias de aranha pendiam entre as portas e janelas, indicando que o sol também não devia ser visita constante.
Conforme caminhava para o interior do velho imóvel, Alberto observava atentamente cada detalhe, cada vão nas paredes como se tivesse um interesse particular no lugar e a medida que se aproximava do quintal, o sinal de que haviam outras mulheres no ambiente ia ficando mais claro. Não sabia ao certo, mas parecia ouvir cânticos e orações vindos do fundo do casarão.
Chegando ao quintal, notou que havia um grupo de mulheres vestidas tal qual a estranha que lhe abriu a porta: longas e pesadas vestes negras com capuzes que impossibilitavam que se visse os rostos. Cantavam e oravam numa língua desconhecida e ao centro do círculo que faziam, uma delas dançava nua, junto a uma enorme mesa.
Alberto sentiu calafrios, mas a sua curiosidade era tão grande, que permanceu calado. Queria ver onde tudo aquilo iria chegar.
A mulher que o acompanhava finalmente disse algo:
- Irmãs! Ele está aqui! O mestre chegou!
Alberto não entendia nada, mas gostou da idéia de ser chamado de mestre por um bando de malucas, ainda mais quando uma delas se encontrava completamente nua. Se sua esposa desconfiasse de onde ele estava metido, provavelmente o colocaria para fora de casa. Bom, quem iria contar? Ele com certeza não iria.
De repente as mulheres começaram a se aproximar e fecharam o círculo ao seu redor, entoando cânticos na língua desconhecida, dançando e rodopiando sem parar até que a muher nua parou e, segurando um enorme punhal, disse:
- É chegada a hora do sacrifício e nosso mestre voluntariamente se ofereceu para que possamos agradar a Deusa. Coloquem-no sobre o altar e dêem início ao ritual.
Alberto, sentindo que sacrifício não deveria ser coisa boa, ainda mais com um punhal envolvido, gritou desesperado:
- Pára tudo! Não sou mestre coisa nenhuma! Não quero ser sacrificado! Por favor, não me matem! Eu sou da dedetizadora.... Só vim fazer o orçamento que pediram! – e saiu correndo em direção à porta o mais rápido que pôde.
Uma das mulheres o seguiu e ao chegar à porta lhe perguntou:
- Então você não sabia o que estava fazendo?
- Não, me desculpe.... Vocês fiquem sossegadas que não contarei nada a ninguém.
- Não precisa se preocupar. Não é o que parece.
- A senhora não precisa me dar explicações. Outra hora eu volto para tratar do orçamento.
- Tudo bem... Mas não faríamos nada com o senhor que não fosse gostar. Na verdade, acho que foi confundido com uma outra pessoa. Fique com meu cartão caso precise de nós!
Então a mulher lhe deu um sorriso e fechou a porta.
Alberto voltou ao serviço intrigado com tudo que havia acontecido e ao chegar a seu escritório se deu conta do cartão em seu bolso, que dizia:

terça-feira, 20 de julho de 2010

Chuveiro


Algumas pessoas cantam no chuveiro, enquanto outras aproveitam para relaxar. Eu , para variar, penso, penso, penso em um monte de coisas non-sense. Às vezes acho que sofro de diarréia mental, aí, um bom banho deve ajudar a levar tudo embora.


- Ufa, Sofia dormiu. Que shampoo eu passo? Melhor esse para cabelos danificados. Será que essa linha nova da Seda funciona? Nossa, porque escolheram a Kristen Stewart para o papel da Bella? Ela não é feminina... Mas o vampirinho é feminino pelos dois. Não aguento aquele poster da Capricho nas livrarias onde eles está mordendo os lábios. Muito gay! Talvez se tivessem escolhido a Evan Rachel Woods ela teria roubado a cena, mas o tipo físico é bem parecido. O que o povo vê nessa historinha? Talvez os livros sejam bons e ao menos os adolescentes ( ou pelo menos AS adolescentes) votaram a ler. Deve ser bem escrito... Ainda assim, prefiro Harry Potter. Leria várias vezes... Vixe, devo estar regredindo: isso tudo é muito teen para mim. Vai ver por isso não estou conseguindo ler nada mais sério. Tudo parado ali no criado mudo. Nem mesmo o Terry Prachet se salvou. Nossa, a água tá muito quente.... melhor deixar assim para aliviar a dor nas costas. Puta merda, meu cabelo continua caindo. Será que vai estar frio à noite? Quanto será que vai ser o curso de escritor desta vez? Não posso esquecer de levar os cheques. Que vontade de tomar capuccino. Já tem uns dois dias isso. Faço o brownie agora ou mais tarde? Ligo para minha vó ou vou até o Horto com a Sofia? O dia está lindo. Caraca, que dor nas costas. Vou ter que passar Salompas.... droga, vai ficar um puta cheiro na minha mão. Preciso de uma massagem urgentemente. Acho que vou escrever este monte de besteiras no Blog. Não tô cnseguindo fazer nada melhor que isso mesmo. Só funciono à noite, mas à noite estou sempre cansada. Os sonhos andam bem malucos, mas malucos demais para escrever... É, vou postar no blog. Lá na frente eu vou rir do quanto minha cabeça está sempre a mil. Lá na frente eu vou me dar conta que nada disso mudou, eu acho. Queria férias... Melhor sair do banho ou vou ficar mais enrugada que uma uva passa.

Bom, não preciso nem dizer que ter saído do banho não fez com que minhas idéias diminuissem o ritmo. Elas estão lá e minha cabeça é um enorme colisor de partículas. Uma hora tudo explode, mas ao menos, teoricamente, alguma coisa nova sai da explosão.

terça-feira, 13 de julho de 2010

CAI CHUVA DO CÉU CINZENTO


Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 8 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Enjoy the silence


Don't have anything special to say... Just wanted to write and see if it makes me a little less tired...
Tired of being tired, tired of all the noise, tired of what I see when I look at the mirror.
It happens all the time and I know it's nothing, but I often get sick of myself and want to run away, but as the wise Flint Lockwood once said: " You can't run away from your feet!!!" ( well, at least I still have a little humour left, which is actually a good sign).
Anyways,I realy could use some vacations...But how? Motherhood doens't offer that. Not complaining ( or am I?) and if I am, well, who cares?
I'm ok...I'm better than when I started to write, which means I'm doing the right thing by vomiting all these meaningless words here.
By the way, I'm aware of how rusty my English is, but unfortunately, improving it is not a priority right now...Priority is to get some sleep and this is exactly what I'm about to do in a few. It's 8:30 p.m. and I can't wait to go to bed. It could be worst, I know!
By know, just want to enjoy the silence.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mais um texto premiado - Imortal


(Texto premiado com o segundo lugar no concurso literário promovido pelo site www.alcateia.com )

O telefone toca:
- Alô!
- Oi, sou eu. Não tô conseguindo dormir.
- Não vai me dizer que é por causa do filme.
- Justamente.
- Não acredita mesmo que existam vampiros e lobisomens, acredita?
- Não sei... Fiquei pensando nas histórias que minha avó contava.
- Não seja ridícula. Nada disso existe. Vai dormir que você ganha mais.
Isabel foi se deitar imaginando a razão pela qual havia concordado em assitir um filme de terror com Hélio. Talvez quisesse impressioná-lo. Estava solteira há tanto tempo que ter companhia para ir ao cinema não era má idéia, mesmo que fosse para assistir um filme daqueles.
Conseguiu fechar os olhos e chegou a dormir um pouco até ser acordada por um estrondo vindo da janela.
- Hélio? O que está fazendo aqui? Que horas são? Porque entrou pela janela?
- Não tenho tempo para explicar. Vamos, preciso tirar você daqui agora.
- Como assim? O que está acontecendo?
- Anda Isabel! Você corre perigo.
Hélio a puxou pelo braço e sairam correndo da casa. Não falou nada até entrarem no carro e se afastarem por alguns quarteirões.
- Não vai me dizer o que está acontecendo? Deve ser muito grave para você me tirar de casa no meio da noite e ainda por cima vestindo essa camisola velha.
- É uma longa história que quero te contar com calma, mas agora precisamos correr.
- Olha aqui... Eu não estou gostando nada disso, acho que... –
- Ahhhhhhhhhhhhh...
Ouviu-se o som de uma freada acompanhada pelos gritos histéricos de Isabel. Não podia acreditar no que via. Os faróis do carro parado iluminavam uma criatura no meio da rua deserta.
- Ah meu Deus! É um lobisomem? Eu devo estar sonhando.... Isso é um pesadelo! – gritava Isabel enquanto apertava os olhos tentando ignorar o que estava à sua frente. Não era possível, pois a criatura falava:
- Me entregue Celina.
- Você não sabe o que está fazendo – disse Hélio
- Não tenho tempo para discutir, Ulric. Você sabia que esta hora chegaria e teria que tomar uma decisão. Vamos, não dificulte as coisas. Não me obrigue a te machucar.
- Ei! Não quero ser rude, mas estou bem aqui e não me chamo Celina. Senhor Lobisomem, com todo respeito, você está me confundindo. Eu sou Isabel e este aqui é o Hélio. Tenho certeza que podemos resolver esse mal-entendido de uma forma civilizada – Ainda descrente de que estava realmente falando com um lobisomem.
- Não tenho tempo para piadas. Saia do carro!
- Você sabe que eu não lhe entregarei Celina sem antes lutar!
O que se viu em seguida foi ainda mais inacreditável: Hélio se transformara num lobisomem e lutava violentamente contra a outra fera.
Isabel, sem saber o que fazer, se afastou lentamente e começou a correr. Não foi muito longe: recebeu uma forte pancada na cabeça e desmaiou.
Ao acordar, ainda atordoada pela pancada, a primeira coisa que notou foi que não vestia mais sua camisola: estava num lindo vestido de seda vermelho com bordados que lembravam as vestes de uma princesa medieval. Deitada sobre uma enorme e luxuosa cama imaginou que estaria num castelo e que precisava dar um jeito de sair dali. Tinha que descobrir o que estava acontecendo, sem saber que suas dúvidas seriam sanadas em breve. Foi até a janela do quarto onde se encontrava e se deu conta que estava em uma torre muito, muito alta. Seria impossível sair dali se não fosse pela porta. Tinha mil perguntas: Como? Por que? Onde estava?
O silêncio é rompido com alguém batendo na porta e em seguida pedindo permissão para entrar. Era um homem muito bem vestido, lindos cabelos negros e olhos num tom de azul que chegava a ser quase transparente. Sua pele alva, tal como a lua cheia que despontava na janela entregava que ele também fazia parte do esquema macabro no qual ela estaria envolvida.
- Deixe me adivinhar: você é um vampiro!
- Sempre admirei seu senso de humor, Celina... Seja bem-vinda ao lar.
- Olha aqui, não estou gostando dessa história de todo mundo ficar me chamando de Celina... É lobisomem, vampiro... Eu obviamente estou tendo um pesadelo por causa do filme que assisti. Só me diga como acordar.
- Meu irmão me explicou que estaria confusa. Acompanhe-me até a sala de jantar, por favor. Você entenderá tudo em breve.
Isabel, sentindo que não tinha escolha, seguiu o homem pelo castelo até a suntuosa sala de jantar, onde um outro cavalheiro de pele igualmente pálida a aguardava. Ao lado da mesa com vários lugares, havia uma grande jaula e dentro dela, os lobisomens que havia deixado lutando na rua.
- Vejo que já conheceu Ulric e Yago. Me chamo Félix. Acredito que não se lembre de mim. Este é meu irmão Dimitri.
- Não sei se deveria dizer muito prazer, dadas as circunstâncias. Alguém poderia me explicar de uma ver por todas o que está acontecendo?
Mal havia terminado sua pergunta quando reparou no quadro que ornava uma das paredes: uma linda mulher de longos cabelos castanhos e expressivos olhos da mesma cor usava um vestido similar ao seu. Sua pele tão clara quanto as dos homens que a encaravam e não precisou olhar muito para notar que a semelhança não estava apenas em seus vestidos, mas na aparência também. Embaixo do quadro havia um nome, Celina.
- Aceitaria alguma coisa para beber enquanto conversamos?
- Félix, certo?
- Sim.
- Não quero beber nada. Só quero que me explique o que está acontecendo, porque vocês têm um retrato meu na parede, onde estamos...
- Claro, vou explicar tudo. Mas antes, preciso providenciar que os lobos sejam levados daqui... Dimitri, poderia levá-los, por favor?
- O que vai ser deles? – Indagou Isabel.
- Não se preocupe com isso agora.
- Mas preciso falar com o Hélio...
- Tudo a seu tempo. Por favor, não iremos lhe fazer mal. Tente relaxar para que possamos lhe explicar tudo.
Isabel respirou fundo para ouvir o que lhe seria revelado.
- Há muitos séculos atrás, um grande vampiro proveniente de uma família muito nobre aqui da região...
- Desculpe interromper, onde estamos mesmo?
- Lituânia.
- Como assim? Como cheguei aqui? Ainda ontem estava no Brasil.
- Não minha cara. Você adormeceu por dias. Viemos de navio e depois pegamos uma carruagem. Não importa... Posso continuar?
- Por favor.
- Seu nome era Lúcien. Ele se tornara muito respeitado entre os demais vampiros por ter sido responsável pela maior baixa de Lobisomens da História. Nada o detinha até conhecer Lady Celina, seu grande amor. Mas Celina lhe foi tirada muito jovem, vítima da Grande Peste e ele nada pôde fazer porque se encontrava em terras distantes à caça de Lobisomens. Sua culpa foi tamanha que se confinou em seus aposentos dizendo que só sairia de lá quando você voltasse. Ele tinha certeza que voltaria.
- Está tentando me dizer que sou Celina?
- Não exatamente, mas sua essência, ou reencarnação como preferir.
- Mas o que os lobisomens têm a ver com isso? Porque Hélio me protegeu do ataque do outro lobisomen?
- Yago descobriu que você estava viva e iria matá-la. Ulric queria protegê-la porque sabia que tão logo Lúcien retornasse, a trégua contra os Lobisomens chegaria ao fim.
- Não entendo. E onde está Lúcien agora?
- No subsolo. Gostaria de encontrá-lo?
- Claro que não! Por favor... Eu só quero voltar para casa.
- Você está em casa Celina. Não se preocupe, depois de dormir mais um pouco, tenho certeza que estará descansada o suficiente para que possamos recuperar suas memórias.
- Não tenho escolha, não é mesmo?
- Creio que não, minha cara. Você não vê? Finalmente Lúcien poderá voltar. Não gostaria disso? Ele poderá finalmente lhe tornar imortal, como nós.
Isabel, alegando ter coisa demais para absorver de uma só vez, fingiu cansaço e pediu para se deitar. Na verdade, seu único pensamento era o de encontrar uma forma de sair dali.
Retornou aos aposentos onde havia acordado e se deitou, tentando imaginar alguma saída. Sabia que havia alguém guardando a porta e pela janela seria impossível. A total ausência de som no castelo era assustadora, mas fora quebrada rapidamente com gritos e barulhos do que Isabel imaginou ser uma luta. Era Hélio irrompendo em seu quarto de volta à sua forma humana.
- Vamos, temos pouco tempo até virem atrás de nós.
- Como você escapou? Tudo isso é verdade? Quem é você?
- Infelizmente, sim... Mas não temos tempo... Vamos.
- Porque deveria confiar em você agora?
- Não tenho interesse que Lúcien volte, mas também não irei matá-la. Se eu te matar, a trégua termina na mesma hora e... Levamos tempo demais para nos adaptármos e finalmente conseguimos levar uma vida normal. Finalmente conseguimos controlar a mudança de forma. Não quero colocar tudo a perder. É melhor para mim que os vampiros passem o resto da eternidade procurando Celina.
- E quanto ao outro lobisomem, o Yago?
- Ele não causará problemas por enquanto. Anda, temos que correr. Vamos pegar um cavalo e tentar despistá-los na floresta, onde há mais como eu.
Hélio e Isabel conseguiram chegar até o estábulo onde roubaram um cavalo e seguiram rumo à floresta. Cavalgaram por horas até que Isabel acabou adormecendo.
- Ei! Acorde! Celina...
Ainda atordoada com o sonho que acabara de ter, responde:
- Onde estou?
- Em casa, minha querida. Acho que teve um pesadelo.
- Ah, Lúcien! Meu amor... Não imagina como estou feliz em vê-lo. Tive um sonho terrível. Talvez tenha sido uma premonição. Acho que viajei no tempo.
Então, Celina abraçou Lúcien e lhe contou tudo sobre um tempo em que havia um lugar chamado “cinema” e que Lobisomens podiam controlar quando mudavam de forma. Um tempo e lugar onde vampiros haviam dado uma trégua aos seus inimigos porque seu mestre estaria recolhido esperando por seu grande amor. Falou de um lugar chamado Brasil, de carros, ruas e tudo mais que conseguiu lembrar.
Lúcien prestou atenção em tudo que sua amada dizia, impressionado com a riqueza de detalhes com que ela narrava sua história. Naquele dia, achou melhor não deixar o castelo. Abraçou Celina e não pensou nos lobisomens que teria que caçar. Imaginava então se haveria alguma forma de mantê-la ali para sempre, sem que para isso fosse preciso amaldiçoá-la pela eternidade.
Sentindo que não tinha escolha, atendeu a um pedido que sua amada já fazia há anos, mordendo-lhe o pescoço, sugando-lhe quase todo o sangue e em seguida insistindo para que ela fizesse o mesmo. Não acreditava no que havia feito. Não havia volta. Ao menos, quando tivesse que partir novamente, saberia que nada lhe tiraria Celina. Ficaria ali ao lado de sua amada, esperando que a transformação terminasse e refletindo sobre tudo que ela havia lhe contado.
- Imagine! – Pensou consigo mesmo – Lobisomens inteligentes o bastante para controlarem sua forma física... Trégua... Só faltaria ela me dizer que vampiros poderiam andar à luz do dia tranquilamente!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Eu sou "o cara"!


(Muito feminina com uma "cerva" na mão e o taco de sinuca ao lado!rs)
Nem curto muito essa frase, mas acabei de me lembrar que é exatemente isso: eu sou o cara! E no masculino mesmo! Não tenho um lado masculido aflorado, não mudei de time nem nada disso, mas toda vez que converso com algum amigo meu, acabo me dando conta que é isso, eu sou camarada! Sou o cara de saia!
Uma vez um amigo disse exatamente isso, que se sentia à vontade para me contar tudo porque eu era muito camarada, eu era como um amigo da turma.
No final das contas, sei lá porque, todo mundo acaba mesmo me contando tudo, mas acho que é muito mais porque eu devo inspirar confiança do que qualquer outra coisa.
No caso dos rapazes, o fato de eu ser casada há tanto tempo e de não dar abertura para certos tipos de brincadeiras faz com que eu vire homem! (sabe aquela expressão: mulher casada para mim é homem?, então!).
Não é um desabafo, nem uma reclamação, porque eu acho isso engraçado mesmo. É apenas a constatação de um fato e considero como algo bom, porque afinal, independente da classificação que meus amigos resolvam me dar, saber que alguém confia muito em você é sempre bom. Talvez se eu fosse solteira e estivesse encalhada, começaria a me preocupar seriamente com esta denominação, mas como não tenho problemas nesta área, aceito o posto de bom grado.
Eu chego a ficar sem graça algumas vezes porque acabo sabendo de detalhes da vida alheia que talvez não deveria, porque acreditem, eles me contam tudo mesmo! Se todas as mulheres pudessem ouvir o tanto de barbaridades que eu ouço, talvez pensassem várias vezes antes de sair com alguns dos meus amigos.
Enfim,nem todos meus amigos são canalhas e nem todos me enxergam como "o cara", mas registrar o fato me pareceu interessante simplesmente porque não conheço muitas mulheres com uma experiência parecida...
Thanks God eu não estou solteira, porque se estivesse, eu mesma começaria a "obviamente duvidar da minha feminilidade"...Acho que a melhor coisa a fazer depois de um pico de testosterona é colocar um vestido, brincos, batom e passar na frente da obra para ver ao menos os peões pensam o contrário! heheheh (
Gotta know if I've still got it!lol)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A busca da felicidade, a canalhice e tudo mais que não entendo.



Felicidade é subjetiva e amor é superestimado. Até aí, nenhuma novidade. O que é novo para mim é finalmente ter constatado que quando se trata de relacionamentos não existem regras, fórmulas, padrões ou contratos que possam garantir que duas ou mais pessoas possam ser felizes juntas e mesmo assim, existem pessoas que encontram sua felicidade ao lado de alguém cujo caráter pode ser extremamente duvidoso aos olhos dos outros.
Bom, quem sou eu para julgar o que é duvidoso afinal?
Ando pesando a respeito porque ultimamente me dei conta que mais e mais amigas e conhecidas resolvem perdoar as canalhices de seus companheiros ou então se separar de vez daqueles que nem são canalhas. O que está errado com esta imagem? Mulheres lindas e inteligentes ao lado de homens que não as respeitam e outras querendo se livrar de seus príncipes encantados... Bom, aos olhos das apaixonadas os canalhas também são santos, mas a resposta para minha indignação é simplesmente a tal da busca da felicidade e para estas mulheres incondicionalmente apaixonadas, seus amantes são desprovidos de defeitos ou então possuem qualidades tão encantadoras que compensam todo o sofrimento que eles causam.
Por outro lado, aquelas que não se encontram tão apaixonadas ficam na expectativa de que algum canalha a tire de vez do seu caminho... Vai entender. Sabemos que existe o jargão feminino que diz que “elas preferem os cafajestes” e no fundo eu sei que muitas mulheres preferem mesmo.
E por que só me refiro às mulheres? Bom, porque pessoalmente desconheço mulheres canalhas, embora saiba que também existam.
O que eu penso pouco importa, o que importa é que estas pessoas estão felizes e que cada uma encontrou uma forma particular de se relacionar com o outro e que nada tem a ver com os padrões estabelecidos pela sociedade em que vivemos.
Alguém me disse esses dias: “ Caramba, existem mais de 6 bilhões de pessoas no mundo, por isso não é possível que acreditemos que só exista uma forma de amar”. É isso, essa frase diz tudo. E é nessa tentativa de buscar sua felicidade ao lado do outro que cada um constrói a relação que bem entender e ninguém tem nada a ver com isso.
Já vi um pouco de tudo: casais que vivem separados, casais que não desgrudam, triângulos amorosos consentidos, relacionamentos abertos, casais que só se dão bem se estiverem brigando... Enfim, tem de tudo! Tudo mesmo!
O nó na minha cabeça se dá pelo fato de eu tentar entender o que se passa na cabeça de pessoas que conseguem relevar tudo, perdoar todo tipo de traição e desrespeito e talvez eu nunca consiga entender, mas com o tempo eu sei que vou passar a aceitar que algumas pessoas são assim e pronto. Irei amá-las da mesma forma, apoiá-las quando preciso e me conformar com o fato de que o que é bom para mim não é necessariamente bom para um amigo/a.
O que funciona aqui é o lema do A.A.: um dia de cada vez. Procuro ter momentos felizes ao longo do dia e ir somando um dia ao outro sem fazer grandes planos. Não fico mais pensando em como seria se tudo fosse diferente porque já me dei conta de que não temos controle sobre o “se” e também porque este tipo de raciocínio não nos leva a lugar algum. Ninguém pode nos garantir que seríamos mais felizes tivéssemos tomado decisões diferents lá atrás, nem mesmo se estaríamos vivos nesta outra realidade.
Talvez seja isso que alguns chamam de “ amadurecer” e que outros acreditam que seja conformismo. De um jeito ou de outro, felicidade continua sendo subjetiva, por isso as pessoas sofrem tanto para encontrá-la: ninguém consegue definir com exatidão o que é... Verdade é que a maioria acha que felicidade está em encontrar o amor e é aí que mora o perigo, porque além de superestimado, cada um tem um conceito diferente do que é esse tal de amor... Conclusão: a bagunça está feita! Um monte de gente infeliz procurando um negócio que não entende num lugar que não conhece! Aff.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O assassino da maleta


Essa história é baseada em fatos "quase" reais ocorridos na minha faculdade! hehehe

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Célia e Denise se conheceram no primeiro dia de aula do curso de Jornalismo, após um trote sofrido recolhendo moedas dos motoristas que passavam em frente ao prédio da Faculdade de Comunicação.
Terminada a brincadeira, que ambas achavam de muito mau gosto, calouros e veteranos sentaram-se em um bar nas redondezas para gastar o dinheiro arrecadado. Apesar de não concordarem com o tipo de recepção que lhes fora dada, as novas amigas gostaram da idéia de conhecer outros alunos enquanto jogavam conversa fora e bebiam algumas cervejas. As aulas haviam começado no auge do verão, o que fazia daquelas noites de estudo, um verdadeiro martírio.
Ao longo das primeiras semanas, as duas já pareciam grandes amigas de infância e durante as aulas passaram a tecer comentários sobre seus colegas de classe. Ambas tinham imaginação fértil e não demorou para que um aluno acabasse virando alvo de sua atenção.
- Dê, você notou como aquele Maurício é esquisito?
- Na verdade só tinha achado ele meio chato. Sempre tem posições tão inflexíveis nos debates.
- Dá uma olhada nas botas dele! Você assistiu aquele filme, “A morte pede carona”?
- Hahaha! Não assisti, mas realmente, aquelas botas são meio sinistras. Ainda mais neste calor!
- É menina, ele deve ser coveiro ou coisa parecida.
As duas acabaram rindo tão alto que o professor de Sociologia as notou e fez questão de que partilhassem seus pontos de vista com o restante da classe, esperando que ficassem constrangidas, mas Denise acabou fazendo uma observação pertinente à discussão em pauta.
Maurício, por sua vez, era um aluno mais velho, casado e com dois filhos. Era responsável pelo jornal da Ong ecológica onde trabalhava, mas como sua formação era em biologia, resolveu então cursar Jornalismo. Suas opiniões durante as aulas revelavam uma personalidade austera e intolerante quando o assunto era o descaso dos jovens por Ecologia e Política. Na maior parte do tempo, permanecia calado, com uma expressão de cansaço como a de quem trabalha duro para dar conta de todas as responsabilidades que devia ter.
Ainda assim, Célia e Denise passaram a reparar cada vez mais naquele aluno misterioso e teorizavam, sobre o ele fazia fora da sala de aula.
- Célia, olha! Olha a maleta que o Maurício trouxe hoje!
- Nossa! Que maleta enorme. O que será que tem lá dentro?
- Aposto que tem um corpo! Ele cortou alguém em pedaços e vai enterrar! Ai meu Deus! Ele é um assassino!
- Calma, Cé! Não deve ser nada de mais. Vamos perguntar a ele.
- Você está louca? E se ele for um assassino? O “Assassino da maleta”! Se perguntármos, ele nos mata!
- Hummm... Já sei! Vamos segui-lo após a aula.
- Ah, não sei. Vai que ele perceba.
- Não irá. Serei discreta.
Então, as duas amigas sairam da aula e trataram de não perder o suposto assassino de vista.
Maurício ajeitou a maleta e subiu em sua moto, sem notar que suas colegas o seguiam. Rumava em direção ao centro da cidade que, além das boates de strip-tease e casas de prostituição, era também onde se localizava o maior cemitério da região.
- Não te disse, Denise? Ele ele está indo para o cemitério. De certo, como é coveiro, pode se livrar do corpo sem que ninguém perceba.
- Acho que você está exagerando. Não acha que se houvesse um assassino à solta por aí, os jornais teriam noticiado?
- Às vezes não. De repente, não querem causar pânico à população.
Mal Célia terminara sua frase e Denise soltou um grito seguido de uma freada brusca: Não havia notado o sinal vermelho e quase colidira com um caminhão.
- Droga! O perdemos de vista. – Disse Denise inconformada.
- Não perdemos não! Olha ele ali! – Célia apontava para um motoqueiro a uns metros de distância.
- Tem certeza? Eu sou meio míope e estou sem meus óculos.
Então, quando se aproximaram, notaram que aquele não era o assassino que perseguiam.
- Não esquenta, Célia. Tentamos novamente amanhã.
- Ao menos agora temos certeza de que ele seguia para o cemitério.
- Ainda não temos certeza de nada, Cé! Até onde sabemos, ele poderia estar simplesmente cortando caminho para casa.
- Ahan... Para mim é bem outra coisa que ele anda cortando.
Nos dias que seguiram após a perseguição quase fatal, a ausência de Maurício fora notada pelas duas amigas, o que só fez sua curiosidade aumentar ainda mais.
Quando finalmente Maurício voltou às aulas, alguns dias depois do ocorrido, parecia ainda mais cansado e desta vez, além das botas e da maleta, havia alguma coisa mais estranha a seu respeito: ele parecia estar salpicado de purpurina rosa!
- Denise, ele matou novamente e agora posso afirmar que foi uma mulher! Não teve nem a decência de tomar um banho antes de vir para cá! Acho que devemos avisar a polícia.
- Não vamos fazer nada até ter absoluta certeza do que está acontecendo.
E tão logo a aula terminou, as duas rapidamente se puseram a seguir Maurício que parecia ter pressa naquela noite. Conseguiram segui-lo de perto até o centro da cidade, onde estacionaram e fizeram uma parte do percurso a pé.
- Anda Célia! Iremos perdê-lo se continuar nessa velocidade.
- Ai, calma! Eu estou de salto! Malditos saltos plataforma! Vou acabar caindo aqui nessa buraqueira. E também não quero que ele nos veja.
- Tudo bem, mas tenta andar mais rápido. Opa! Para, para! Olha ele ali, conversando com aquela mulher na porta da boate.
- Essa não! Deve ser sua próxima vítima. Se não fizermos algo agora, ela estará em pedaços em breve.
- Vamos chegar mais perto e tentar ouvir o que estão dizendo.
As duas se esconderam atrás de um carro, mas conseguiram chegar perto o suficiente para ouvir uma parte da conversa entre Maurício e a mulher.
- Sim, sim! São mesmo de matar – dizia Maurício ao som das gargalhadas da mulher que devido à pouca roupa que usava, entregava que deveria trabalhar na boate de strip-tease.
- Ai, Mau-Mau! Você é mesmo uma comédia. Nos vemos depois do show então, certo?
- Claro, xuxu! Estarei esperando para saber sua opinião sobre o que conversamos.
Impossível saber quem estava mais descrente com a conversa, se era Denise ou Célia. As duas simplesmente se entreolharam: - “Xuxu”???
- Nossa, se é com esse papinho que ele consegue suas vítimas, ele não deve matar muita gente. – Comentou Denise ainda não acreditando que aquele homem de expressões tão duras estava tão à vontade conversando com uma dançarina de boate.
- Agora teremos que entrar e ver onde isso vai dar! Devíamos ao menos deixar a polícia de sobreaviso.
- Não existe isso, Célia! Ou temos provas concretas, ou estaremos encrencadas se fizermos uma falsa denúncia.
- Mas e se conseguirmos as provas quando for tarde demais? Não quero ser cúmplice de assassinato! – Àquela altura, Célia já estava com uma voz de choro.
Night club e American Bar” – go go boys e go go girls. Era o que se lia no letreiro do lugar que era um dos mais procurados do pedaço.
As duas entraram na boate tentando ser o mais discretas possível, mas logo foram notadas ao fazerem o maior escândalo quando o go go boy “Mau-Mau” apareceu rebolando no palco, trajando uma fantasia de mecânico que deixava grande parte de seu corpo à mostra.
- Denise, você está vendo o mesmo que eu?
- Não acredito! Aquele é mesmo o Maurício?
- É ele sim... Posso ser míope, mas aquelas botas e aquela maleta são inconfundíveis!
Apesar do estardalhaço, Maurício não havia notado suas colegas no bar da boate e fazia sua performance com a maleta de ferramentas que, ao ser aberta, liberava uma série de serpentinas coloridas e muita purpurina rosa.
Célia e Denise estavam aos risos quando “Mau-Mau” se aproximou nitidamente envergonhado por encontrar suas colegas de classe ali.
- O que fazem aqui?
- Nós o seguimos Maurício. Célia e eu achávamos que você era um assassino.
- Assassino? Estão malucas? De onde tiraram isso? E agora, o que pretendem fazer já que sabem o que realmente faço?
- Em primeiro lugar – disse Célia, já mais calma – devemos nos desculpar por nossa imaginação tão fértil. Em segundo, não contaremos a ninguém que você é gay. Ninguém tem nada a ver com isso.
- Não sou gay. Eu simplesmente faço estas performances porque um amigo meu me indicou e só o que ganho na Ong não estava dando para bancar todas as contas, ainda mais porque minha mulher está grávida novamente.
- Ela sabe sobre este seu outro emprego? – perguntou Denise.
- Sabe sim, mas por razões que vocês devem entender, também não comenta com ninguém. Aliás, ela costuma vir aqui de vez em quando. Nossos filhos não fazem idéia, mas não pretendo dançar por muito tempo.
- Não deveria se envergonhar do que faz! Você dança muito bem.
Tão logo Denise terminou de elogiar a performance de Maurício, os três se juntaram à mulher que estava com ele na frente da boate e conversaram por horas. As amigas malucas explicaram de onde tinham tirado a idéia de que ele fosse o “Assassino da Maleta” e Maurício explicou que quando mencionou anteriormente que “eram mesmo de matar”, se referia às botas que machucavam seus pés.
Após todo o mal-entendido ter sido esclarecido, Denise e Célia passaram a frequentar a boate onde seu mais novo amigo trabalhava. Conheceram sua esposa e passaram a fazer todos os trabalhos da faculdade juntos. No entanto, não demorou muito para as duas acharem uma nova “vítima” para sua imaginação aguçada e logo estavam as duas cheias de teorias sobre uma outra aluna da classe.

Mulheres

E eu achando que era única! Blah! No fundo, somos todas iguais! rs





segunda-feira, 14 de junho de 2010

MEDO!!!!


Entrei no Youtube hoje e me deparei com esse vídeo bizarro! Nossa, que medo!
O que acontece com os pais dessas meninas??? E porque a TV continua incentivando esse show de horror! Essas imagens me dão pesadelos, sem brincadeira!
Outro dia assistia um documetário sobre estes concursos de beleza rídiculos para crianças e quando digo crianças, me refiro a bebês de meses e meninas de até 4 anos!
Deve ser um verdadeiro deleite para os pedófilos de plantão o desfile dessas meninas fantasiadas de mini prostitutas!
Revoltante é o mínimo que posso dizer! Aff, que mundo é esse?

domingo, 13 de junho de 2010

Glamour



Tá, tá... Eu sei que costumo escrever mais quando estou down, mas o intuito é justamente este, colocar para fora aquilo que me incomoda... Estando feliz, simplesmente não vejo necessiade ou então não acho algo relevante a dizer.
Bom, minha síndrome de Peter Pan ainda não está bem resolvida e pode ser que nunca esteja, afinal, aceitar o fato de que envelhecemos a cada dia e ter que lidar com a mortalidade não é algo agradável, mas a pior parte de ser adulto é justamente ter que aceitar certos fatos que não precisamos aceitar sendo crianças ou adolescentes.
Até nossa adolescência acreditamos que absolutamente tudo que possamos imaginar é possível. Todo mundo lhe diz que sonhos se realizam e que o céu é o limite. Para as meninas, a qualquer momento um príncipe encantado irá aparecer para lhes proporcionar uma vida de princesa e para os meninos, o que eles quiserem ser: jogadores de futebol, astros de rock, presidentes da república....
Então você cresce e tem que aceitar que alguns sonhos podem se realizar mas que terá que abrir mão de outros. Talvez quem não sonhe alto acabe se contentando com o que a vida por oferecer, mas para alguém de imaginação fértil como a minha, não é nada fácil aceitar o fato de que certas coisas nunca irão acontecer... Alguns sonhos serão sempre sonhos.
Mais duro ainda é a culpa de me sentir como sinto quando eu realmente não tenho do que reclamar, mas quem irá me julgar?
É triste para mim ter que admitir que gostaria sim de ter uma vida mais luxuosa, de poder viajar mais, dançar mais, comprar, comprar e comprar o que me desse vontade , ainda que no fundo eu saiba que não sou assim tão superficial, mas eu gostaria de me dar ao luxo de poder ser assim ao menos de vez em quando. E os cosméticos? Nossa, como eu gostaria que o Papai Noel ouvisse minhas preces e me presenteasse com uma cesta de cosméticos de primeira linha... Creme anti-idade, anti-celulite, anti-gordura localizada, reparador para os cabelos, maquiagem de estrela de cinema...
Acho que estou cansada de estar sempre brigada com o espelho.... Até nisso a euforia tem suas vantagens: quando fico eufórica, o espelho é meu melhor amigo e o auto-crítica foge de medo... Horrível pensar que eu só faço as pazes comigo quando estou muito alterada por causa de uma doença. Haja terapia.
Em tempo, esse é um desabafo pós Sex and the City II. Meu sonho de princesa é a semana das protagonistas do filme...Pronto, falei! Que atire o primeiro Manolo quem nunca sonhou com um pouco mais de glamour na vida! Mas a tristeza toda vem da constatação que este é um daqueles sonhos que eu nunca irei realizar... ( bom, nesta hora os queridos amigos já começam a coçar os dedinhos no intuito de me consolarem dizendo: “Dani, não pense assim! Você é capaz de realizar todos os sonhos que quiser!”
BULLSHIT! Quem nós queremos enganar? Se fosse assim, viveríamos num mundo perfeito, sem guerras, sem preconceito, fome, miséria, doenças.... Alguns sonhos não se realizam e a vida é assim. Ponto. Eu só estou tentando aprender a lidar com este fato).

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Bored



Entre fases, embora não faça a mínima idéia de quais sejam.
Terminei meu suposto livro , acabei de ler outros dois e fiquei com aquela sensação de “ e agora?”
Sofrendo de preguicite aguda quase em estado terminal, não estou com vontade de começar nenhum dos outros “trocentos” livros que tenho em casa nem com inspiração de escrever nada mais interessante que um post de blog no estilo “ Meu querido diário”.
Para variar, um milhão de coisas passam pela minha cabeça e eu não sei dicernir o que é útil do inútil.
Pensei em escrever um romance auto-biográfico, misturando eventos reais da minha vida com uma história de amor meio “ Orfeu e Eurídice”, mas eu não sei até que ponto valeria a pena expor fatos que poderiam machucar pessoas que eu amo ou pelo menos algumas com as quais deveria me importar.
Expor seus problemas ao mundo pode ser uma catárse e tanto, mas não imagino como fazê-lo sem que isso me deixe extremamente vulnerável. Como já havia mencionado anteriormente, acumulo uma série de memórias que não são das mais agradáveis, mas também não são assim tão traumáticas, são apenas embaraçosas para os envolvidos.
Enfim, entre uma musiquinha e outra, entre uma espiada no orkut/facebook dos amigos, fico pescando alguma inspiração, mas o que mais tenho vontade mesmo de fazer é....
... DORMIR! Muito...
Também estou com saudade de um bom drink e de dançar até conseguir bolhas nos pés, mas como disse à uma amiga esta semana, só de pensar em me arrumar para sair já cansa, ainda mais se for para ir a algum lugar ouvir Lady Gaga e Justin Bieber... Acho que eu realmente tenho que aceitar o fato de que não posso mais sair por aí dançando ao som de músicas que falam sobre o primeiro amor ou sobre absolutamente nada... Talvez se eu fosse um pouquinho mais fútil, só um pouquinho... Ou talvez com a dose certa de bebida! rs
Bom ,apesar da auto-estima bem lá embaixo, hoje aconteceu um fato engraçadinho que no mínimo me deixou lisongeada: estava online no msn quando um amigo me chamou, na verdade não era ele, mas um amigo dele que estava usando seu msn. Começou a puxar papo como quem não quer nada ( talvez não quisesse mesmo, talvez quisesse só passar o tempo enquanto o dono do pc não voltava), até que perguntou minha idade e eu disse – “ Tenho 33 anos, sou casada e tenho uma filha . Acho que isso já responde tudo,não?” – já querendo dar uma cortada no rapaz antes que ele insinuasse qualquer coisa e ele disse que eu estava enganada quanto as suas intenções, ainda assim, enganada ou não, eu repliquei dizendo que se ele havia me chamado, no mínimo era porque tinha achado minha foto interessante e ele confirmou que sim. Embora a foto seja de 3 anos atrás e a conversa tenha sido o mais respeitosa e vazia possível ( ele era um moço direito), o fato em si me deixou feliz!
Eu estava mesmo numa boa época, pois ele não foi a primeira pessoa a “puxar papo” por causa desta foto! Que bom! É uma foto do meu aniversário de 30 anos, na milk, ao som de black music. Eu estava bronzeada por ter passado um tempo em Porto Seguro e seguramente eufórica, simplesmente porque é meu estado normal no verão. Euforia é geralmente meu estado normal na época do meu aniversário.... Exceto neste último, pois o cansaço já havia se tornado meu companheiro inseparável.
É isso... Para quem não ia escrever nada, até que está bom, não é?! hihihihi

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A tal da trilha sonora



Eu estava aqui pensando em como eu sempre falo que minha vida tem trilha sonora e comento uma série de músicas e tal, quando na verdade, eu passo dias e dias sem ouvir uma única música se quer.
Já tive a época complusiva por música, mas hoje, eu fico com elas na cabeça, assim, sem cd, sem i-pod ou mp3. Imagino uma cena e já adiciono uma música porque acho que assim tudo tem um tom mais dramático. Sou muito chegada em um drama, não na minha vida, claro, na dos outros!
O mais triste, é que por causa da minha nostalgia crônica, eu só consigo pensar em música velha! Se me perguntarem o que eu gosto de ouvir que seja atual, eu não saberia responder. Acho que a coisa mais atual que consta na minha listinha, é Snow Patrol e mesmo assim, porque só conheço uma música.
Ah, tem aquela música bonitinha do Jason Mraz que eu colocava para a Sofia ouvir quando ela estava na barriga.
Anyways, sei lá porque cargas d´água estou com Pixies na cabeça... Tenho uma queda por músicas meio down, então acabei me lembrando do quanto gostava de Portishead, Smiths e outras cositas mais.... Nossa, eu escrevo um conto sobre apagar memórias e na verdade, eu sou pior que museu: adoro visitar as minhas. Fecho os olhos, penso em uma música e “lá vamos nós”. Se eu fosse fazer uma lista de músicas e ao que elas me remetem, não terminaria nunca.
Agora mesmo, com “Wave of Mutilation” na cabeça, me lembro da Vanessa, porque ela também adora Pixies, ai me lembro das circunstâncias em que nos conhemos, há 18 anos atrás e uma memória vai puxando outra, que lembra outra música,que traz outra lembrança.
Houve uma época que eu virei fã de uma banda que nunca chegou a gravar um disco eu acho ( na época não tinha cd!) e se chamava Party up. Me lembrava L-7 porque eu estava naquela época que “tocava” guitarra e queria ser uma “rock-star”, então L-7 era tudo o que eu queria ser... Mesmo ignorando o fato de que eu tocava muito mal, a Ana só sabia cantar “The Cure” e a Kátia só tocava “Exploited” na bateria ( Isso me remete ao Bruno e Thiagão cantando “sex and violence” em Piracaia! Que inferno! Eles nem tinham a banda ainda, que se chamaria “O Dueodeno era meu” com hits como “Videogame não é sapato”) . Bom, não preciso dizer que a esta altura, me lembrei da minha festa de aniversário “surpresa” na qual o “Caimbra Cerebral” tocou com direito a “Maldita Evolução” e tudo mais... Ai, ai...
Se eu ficar aqui lembrando, não termino hoje! Pior é que eu gosto disso...rio sozinha. Talvez eu não queira mesmo apagar nada. Talvez aquelas memórias que eu não curto tanto também tenham um papel a cumprir.
Enfim, a música é meio deprê, embora eu mesma não esteja. Tem cara de “dirigir-sozinha-sem-rumo”.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Regretless



Aline não via a hora de sua encomenda chegar. O novo sucesso no mercado era anunciado em todas as redes de TV várias vezes ao dia, de forma que em pouco tempo após seu lançamento, havia quase esgotado nas lojas do país.
Há muitos anos os cientistas pesquisavam uma forma de viabilizar que as pessoas pudessem apagar certas memórias que consideravam indesejáveis. Na verdade, os estudos em torno do assunto começaram no intuito de amenizar traumas causados por pesadelos recorrentes, que em muitos casos, eram entendidos pelo cérebro como uma terrível lembrança, fazendo com que o paciente desenvolvesse fobias e distúrbios mentais.
No início, a idéia era que o tal apagador de lembranças fosse vendido apenas sob prescrição médica, mas a empresa responsável pela marca do produto conseguiu na justiça o direito de comercializar o regretless - que em Inglês significa “sem arrependimentos” – em todas as lojas de departamento do território nacional.
A campainha toca e Aline corre para atender a porta. Ela rapidamente abre o pacote que imaginava ser maior e finalmente ali está: a solução para anos de sofrimento solitário. Ninguém sabia o que se passava em sua cabeça e o que tanto a afligia. Tinha fantasmas que a assombravam há anos, fazendo com que muitas vezes tivesse até pensado em suicídio, tamanho era seu tormento. Nem mesmo anos de terapia foram capazes de amenizar seus problemas, pois os segredos que escondia, não ousava contar nem a si, muito menos à um desconhecido. Não queria ser julgada por seus erros do passado, pois ter que lidar com eles já era punição suficiente. Ninguém poderia entendê-la.
O aparelho em suas mãos era pouco maior que um telefone, no entanto, seu manual de instruções era gigantesco. Aline estava ansiosa demais para se prender a pequenos detalhes, por isso, atentou apenas às partes destacadas do texto, julgando serem mais importantes, entre elas, as seguintes frases chamavam mais atenção:
- O regreteless só deve ser usado uma única vez por cada usuário sob pena de danos irreversíveis à memória;
- O aparelho deve ser fixado no teto, posicionado acima da cabeça do usuário;
- É de extrema importância que anter de iniciar o procedimento, o usuário anote as lembranças a serem excluidas e de preferência reúna imagens que melhor represente o que deverá ser eliminado;
- Uma vez iniciado o processo, não é possível interrompê-lo ou revertê-lo;
- O processo é indolor;
- O usuário deve manter-se acordado durante o uso do aparelho sob pena de excluir lembranças que não gostaria;
Havia mais uma série de instruções, mas Aline já estava tão acostumada aos comerciais de TV sobre o produto que se sentia completamente capaz de operá-lo sem maiores problemas.
Aline seguiu para o quarto, passando pela sala, onde havia uma coleção de porta-retratos e pensou que ao terminar o procedimento ao qual iria se submeter, sua vida seria perfeita sem todo o arrependimento que carregava e que fazia questão de esquecer.
Chegando ao quarto, Aline subiu na poltrona que ficava ao lado da cama e fixou o aparelho no teto. Calmamente se deitou, deixando a cabeça bem na direção do objeto, respirou fundo e acionou o dispositivo com o controle remoto que segurava nas mãos.
Olhava fixamente para o pedaço de papel com todas as lembranças que queria apagar quando percebeu que partículas coloridas eram expelidas por todos os poros de seu corpo e flutuavam em direção ao teto. Achou a cena bonita e relaxou ao ponto de cair no sono. Não sentia dor... Não sentia nada, apenas uma leveza ao pensar em todo arrependimento saindo de seu sistema e indo para longe, para onde não pudesse mais ferí-la.
Algum tempo depois de ter acionado o aparelho, Aline foi acordada por seu marido e seu filho de dez anos que voltavam de uma partida de futebol.
O menino parecia ter muita coisa para contar e estava feliz. Pulou na cama aos gritos:
- Mamãe, mamãe! Ganhamos o jogo! Foi incrível! Eu fiz dois gols.
Aline olhou para a criança que pulava em sua cama com uma lágrima nos olhos e um sorriso nos lábios:
- Me desculpe, mas quem são vocês? Onde estou?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Leve


Ando com uma sensação estranha, me sentindo meio avoada como aqueles dias em que o vento para de repente e tudo mais parece parar também. Como se alguém tivesse apertado o “pause” e eu estivesse flutuando sobre o monte de coisas que tenho feito.
Hoje disse a mim mesma ( odeio mim mesma! Soa tão redundante, mas falar só eu me disse ou eu disse a mim fica ainda mais estranho) o quanto estava orgulhosa por estar dando conta ( ai! Gerundismo!) de tantas coisas , mas ao final do dia, percebo que não fiz nada ou que quase não sai do mesmo lugar.
O tempo passa rápido mas as atividades parecem ser realizadas a passos de tartaruga. Será que alguém entende o que estou dizendo?
Me envolvi em vários projetos, quero fazer aquele monte de coisas que passam pela minha cabeça e ao mesmo tempo morro de medo de me enrolar toda e ficar maluca.
Eu me convenço de que vou conseguir... Mudo de idéia, desisto e volto a tentar. Vamos ver onde tudo isso vai dar.
Definitivamente, sinto que estou mais calma e paciente, isso por si só já é um lucro. Percebi isso recentemente quando decidi participar de um concurso literário pra lá de burocrático e a cada dia eu adiciono um novo documento para poder fazer a inscrição. Há uns anos atrás, eu teria desistido só de ler o edital. Esse processo extremamente lento e cansativo, tem sido como uma prova para mim. Quando a noite chega e me dou conta que consegui adicionar mais um item ao projeto eu me sinto como aquela criança que ganhou mais uma estrelinha no caderno da escola.
No fundo, eu sei que não devo ter expectativas em relação a este concurso porque meu livro nada tem a ver com os que costumam ser premiados. Muito provavelmente não se encaixa nos critérios de classificação, mas se eu conseguir ao menos completar esta etapa da inscrição que é tão morosa, com certeza serei capaz de outros feitos.
Talvez para quem não saiba de toda minha história e tudo que já passei, seja difícil entender que eu realmente esteja convencida com a balela de que o que vale mesmo é participar e de fato, isso nunca me convenceu. É exatamente aí que está o “x” da questão: acho que é a primeira vez em toda minha vida que estou feliz de conseguir ao menos participar de algo... Há algumas euforias e depressões atrás, seria impossível: estando eufórica eu perco o foco e peco pelos excessos e deprimida, eu desisto só de pensar, ou seja, todo esse processo é uma vitória.
É isso: um passinho de cada vez, parece que estou conseguindo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não gosto do bom gosto



Eu não curto a voz lânguida da Adriana Calcanhoto, acho meio depressiva. No entanto, esta é a segunda vez que ela aparece por aqui, simplesmente porque acho as coisas que ela fala e escreve muito coerentes (e algumas vezes fofinhas!).
Esta música estava no blog da Márcia Tiburi - da qual sou muitíssimo fã - e gostei demais.
P.S.: Tem muita cara de Fernanda! Tenho certeza que ela concordaria comigo! Para vc marida!

Senhas - Adriana Calcanhoto

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores

e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias

E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O fim





Ouvindo the Doors no carro. Trânsito caótico e uma viatura parada na minha frente. Aquelas luzes vermelhas piscando prendem minha atenção e "The End" começa a tocar. Entro em transe, literalmente.
Toda vez que ouço esta música, eu automaticamente viajo no tempo, uns 18 anos no passado:
- Dani, sabe porque eu tenho estas caixas de som embaixo da cama?
A Ana me pergunta ao notar meu espanto ao ouvir a voz do Jim Morrison saindo debaixo da cama dela.
- Eu durmo com ele todos os dias. Somos casados. Deita aí, ouve o Jim.
Me deitei na cama dela, fechei os olhos e Jim Morrison estava lá, cantando ao pé do meu ouvido. Ela tinha caixas de som enormes embaixo da cama e a experiência foi incrível.
"The End" por si só já é uma viagem, de ácido, imagino. O Jim era chegado em Mescalina... Bom, ele era chegado em todas elas.
Volto a viajar. Desta vez estou com um ex-namorado que era vocalista de uma banda de Rock. Eu tenho 15 anos e ele 22.
- Vamos no ensaio de uns amigos meus?
- Tá. O que eles tocam?
- The Doors.
- Vamos.
Chegando ao estúdio eu me sentia toda importante por namorar alguém tão popular na turma ( bom ,turma que na época era o pessoalzinho "underground" que ficava no café Atlântico). Se eu contasse aos meus amigos, todos ficariam com inveja. Eu era a única menina no ambiente. Os músicos, assim como meu namorado, eram mais velhos.
Começaram a tocar "The End" e era a primeira vez que ouvia aquela música. Do meu lado direito, meu namorado escrevia uma música para mim e do lado esquerdo, um rapaz esquentava uma colher de alumínio com um pó branco dentro. No fundo da sala,um outro rapaz preparava uma seringa. Eu nunca havia presenciado uma cena parecida até então.
- Você quer?
E antes que eu pudesse dizer não, meu namorado respondeu:
- NÃO! Ela não quer. Estamos indo embora.
Sempre penso que se tivesse feito escolhas diferentes, não estaria aqui agora. Drogas sempre estiveram ao alcance das mãos. Meu namorado não era exemplo para ninguém, mas era super protetor comigo. Não me deixava beber nem cerveja.
Anos depois, ele foi preso por tráfico de drogas e embora eu soubesse que era usuário, ele nunca fez nada em minha presença.
Penso no Jim novamente. Visitei seu túmulo em Paris com a Ana. Dá uma tristeza pensar em toda a vida que ele tinha pela frente.
Vinte e sete anos. Idade fatídica que também levou Janis Joplin, Jimi Hendrix e Curt Cobain.
Aos 27 eu já havia sido diagnosticada como Bipolar e naquele ano tive crises bem intensas. Se tivesse embarcado na mesma onda que alguns de meus ídolos, com certeza não teria chegado aos 30.
O trânsito andou.
" The blue bus... is calling us"
" Driver, where are you taking us?"
" Ride the snake... Ride the snake..."
Acorda Alice!
A viagem foi quase lisérgica e tudo que precisei foi de uma boa música!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Uma cidade colorida


Esta história foi criada pelo João Pedro.

Era uma vez uma menina chamada Carol. Ela ia todo dia ao parque para desenhar.
A cidade foi crescendo e ficando muito movimentada. Então, ela não via mais o céu azul, só uma fumaça estranha.
Um dia ela teve uma idéia: ela resolveu desenhar muitas árvores numa cidade colorida. Carol colou seus desenhos pela cidade inteira.
Foi aí que todo mundo pensou:
- Vejam como nossa cidade era bonita!
Todos começaram a plantar muitas árvores e a cidade voltou a ficar colorida como era antes!
Até a fumaça estranha desapareceu.

*************************************

Digam se meu sobrinho não tem futuro!!!! E ele só tem 7 anos de idade!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Eu quero, eu quero, eu quero!!!!!!

Instructions
by Neil Gaiman



Touch the wooden gate in the wall you never

saw before.

Say "please" before you open the latch,

go through,

walk down the path.

A red metal imp hangs from the green-painted

front door,

as a knocker,

do not touch it; it will bite your fingers.

Walk through the house. Take nothing. Eat

nothing.

However, if any creature tells you that it hungers,

feed it.

If it tells you that it is dirty,

clean it.

If it cries to you that it hurts,

if you can,

ease its pain.

From the back garden you will be able to see the

wild wood.

The deep well you walk past leads to Winter's

realm;

there is another land at the bottom of it.

If you turn around here,

you can walk back, safely;

you will lose no face. I will think no less of you.

Once through the garden you will be in the

wood.

The trees are old. Eyes peer from the under-

growth.

Beneath a twisted oak sits an old woman. She

may ask for something;

give it to her. She

will point the way to the castle.

Inside it are three princesses.

Do not trust the youngest. Walk on.

In the clearing beyond the castle the twelve

months sit about a fire,

warming their feet, exchanging tales.

They may do favors for you, if you are polite.

You may pick strawberries in December's frost.

Trust the wolves, but do not tell them where

you are going.

The river can be crossed by the ferry. The ferry-

man will take you.

(The answer to his question is this:

If he hands the oar to his passenger, he will be free to

leave the boat.

Only tell him this from a safe distance.)

If an eagle gives you a feather, keep it safe.

Remember: that giants sleep too soundly; that

witches are often betrayed by their appetites;

dragons have one soft spot, somewhere, always;

hearts can be well-hidden,

and you betray them with your tongue.

Do not be jealous of your sister.

Know that diamonds and roses

are as uncomfortable when they tumble from

one's lips as toads and frogs:

colder, too, and sharper, and they cut.

Remember your name.

Do not lose hope — what you seek will be found.

Trust ghosts. Trust those that you have helped

to help you in their turn.

Trust dreams.

Trust your heart, and trust your story.

When you come back, return the way you came.

Favors will be returned, debts will be repaid.

Do not forget your manners.

Do not look back.

Ride the wise eagle (you shall not fall).

Ride the silver fish (you will not drown).

Ride the grey wolf (hold tightly to his fur).

There is a worm at the heart of the tower; that is

why it will not stand.

When you reach the little house, the place your

journey started,

you will recognize it, although it will seem

much smaller than you remember.

Walk up the path, and through the garden gate

you never saw before but once.

And then go home. Or make a home.

And rest.

A experiência


Este "causo" tem pelo menos uns três anos, mas eu acho graça até hoje cada vez que me lembro do ocorrido. Talvez a história toda nem seja tão engraçada, ainda mais porque certos fatos terão que ser omitidos aqui ( quem já ouviu esta história, sabe porque!).
Bom, estava eu um tanto eufórica, numa época que arranjei uma série de amigos mais novos e eu me questionava se estava levando a vida que queria, afinal, estando casada há algum tempo e tendo namorado a mesma pessoa desde sempre, eu comecei a querer fazer uma série de coisas que não havia feito quando mais nova, como por exemplo, ir à uma Rave. Era a crise dos 30 chegando, entende? Você passa a querer fazer um monte de coisas antes que comece a ficar muita ridícula! ( "Ai, imagina, aquela mulher já com filho, nessa idade , usando uma mini-saia tão curtinha...")
Enfim, o marido nunca curtiu essas festas, ainda mais tendo que ficar acordado a noite toda no meio de um monte de gente pulando feito doida e ouvindo um som que ele definitivamente não curte ( normal para um ex-headbanger, fã de Joy Division e Motorhead não querer ouvir música eletrônica). Eu também não sou muito chegada, mas queria ver como era.
Combinei com a Kátia que a encontraria no metrô às 19:00 e de lá seguiríamos direto para Campinas ( na fazenda Maeda) , afim de que eu pudesse ouvir os melhores DJ's que tocariam cedo. Era a edição de 10 anos da Experience, eu acho. Chegando no metrô, ela me avisa que o marido dela estava com muito sono e queria dormir antes de ir. Na verdade, tentaram me convencer a ir no dia seguinte, mas eu já estava em SP, louca para ir para a tal da Rave. Passamos no supermercado, fomos para casa dela e eu fiquei esperando o Luis dormir e acordar. Quando saímos de SP, já eram mais de 23:00. Já fiquei chateada, porque um dos DJ's que eu queria ver começava a tocar às 21:00.
Quando chegamos à estrada de terra que levava à fazenda ( ao lado do aeroporto de Viracopos, creio eu) já era madrugada, 1:00. O congestionamento era tanto, que eu sai do carro umas 2 vezes para fazer xixi e não conseguimos andar mais que 200 metros. Não tinha jeito de ir para a frente, muito menos para trás.
Foi então que um cara começou a gritar feito louco, dizendo que não havia mais vagas para estacionar na fazenda, por isso teríamos que deixar por ali mesmo, no começo da estrada.
- Quanto tempo andando até a Rave? - O Luis perguntou.
- Uns 15 minutos.
- Quanto é o estacionamento?
- Vinte "Real".
Deixamos o carro lá mesmo e seguimos pela estrada, sem o menor sinal de que havia alguma coisa acontecendo nos próximos quilometros. Curiosamente, o congestionamento ficou para trás e após 45 minutos andando no breu, com eventuais pessoas e carros passando, ainda não víamos nenhum sinal de Rave. De repente, uma menina aparece chorando, no meio do nada, dizendo que uns caras tinham roubado o carro da amiga dela no caminho da festa. Não fizemos nada, pois estávamos mais preocupados em chegar à Experience antes que alguma coisa pior acontecesse conosco ali no meio do nada, na escuridão total.
Vindo na direção contrária, uma viatura parou ao nosso lado e o policial perguntou se havíamos deixado o carro no estacionamento lá atrás. Dissemos que sim e ele nos informou que todos os carros seriam guinchados porque ali era área da Infraero. Perguntamos quão longe estávamos da Rave e ele nos disse:
- Uns 10 quilometros.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Fala sério! Filho da puta do cara do estacionamento! Corremos todo o caminho de volta, completamente esbaforidos para encontrármos o caos: todo mundo tentando tirar seus carros às pressas antes dos guinchos chegarem, era carro amassado para todo lado e os caras do estacionamento, já estavam bem longe naquela hora.
A dúvida então era se voltávamos para SP sem Rave ou tentávamos achar uma vaga lá perto... Bom, eu estava eufórica, lembra? Nem a pau eu voltaria para SP depois de ter chegado tão perto! Toca para Rave, com o Ká caindo aos pedaços mesmo ( literalmente, o parachoque caiu!)
Conseguimos chegar no estacionamento lá pelas 4:00. Era um pasto inclinado e ficamos numa descida. Quando finalmente conseguimos entrar, já eram umas 4:30.
Eu fiquei maravilhada com todas aquelas luzes e cores vibrantes, sem contar que eu nunca tinha visto tanta gente bonita junta! Eu tinha combinado com um outro amigo, o Coxinha ( ele é viciado em coxinha) de nos encontrármos lá. Liguei para ele e nos encontramos na tenda principal. O Skazi ainda estava tocando! Demais! Comecei a pular feito uma pipoca, tal qual o povo mucho loco que estava por lá quando caiu o MAIOR PÉ D´ÁGUA! Nem liguei! Continuei ali, enxarcada, dançando na lama com minhas botas de "Peter Pan" cor de areia... Só que a água era tanta, que as tendas pareciam que iam ceder a qualquer momento. A Kátia conseguiu me achar de novo e disse que queria ir embora. Vejam bem, não fazia nem uma hora que eu tinha entrado na Rave! Eu não queria ir de jeito nenhum... Para mim, era tudo uma festa. Além do mas, seria uma péssima idéia, pois àquela altura, o estacionamento teria virado uma lama só e todo mundo que resolvesse ir embora não conseguiria. Mesmo assim ,ela insistiu. Já estava puta da vida porque seu celular novinho havia se afogado naquela chuva. Não tive escolha, e saímos da Rave por volta das 5:30 (vamos fazer as contas? Eu tinha saído de casa há 12 horas e tudo que consegui foi ficar uma hora lá dentro!).No caminho para o carro, começamos a rir tanto daquela situação ridícula que eu comecei a ficar muito apertada e não havia mais banheiros por ali: uma vez fora da Rave, você não pode mais voltar.
O carro , obviamente estava atolado, bem como todos os "trocentos" outros que tentavam sair. Era um tal de todo mundo empurrar carro para cá e para lá, que em pouco tempo, só o que se via era um montão de gente marrom, todo mundo coberto de lama. E eu, querendo fazer xixi.
- Faz ai fora mesmo, Dani.
- Tá louca? Já está claro, não vou mijar ai fora, na frente de todo mundo!Além do mas, estou completamente molhada, com uma calça jeans skinny que não vai sair nem por decreto.
Comecei a chorar de desespero. Não tinha jeito! Aproveitei que a chuva tinha diminuido um pouco, tirei as botas, tirei as calças ( eu estava com um vestido por cima), amarrei um casaco na cintura, tirei a calcinha também, para facilitar, peguei um guarda-chuva (não sei para que!) e fui atrás de um carro... Ahhhhhh que alívio! Fiz xixi ali mesmo, em pé, na lama! Fiquei mais feliz, mas o frio lá fora estava de matar. O vento gelado na minha roupa ensopada iria fazer um belo estrago. Voltei para o carro, me segurando como podia para não cair na lama (lama escorrega feito sabão, sabia?) e seguimos para SP, finalmente! Eram 9:30 da manhã quando saímos do estacionamento! Isso mesmo, foram 4 horas tentando sair de lá. Mais umas 2 até SP, com o carro empenando e o Luiz pescando no volante. Eu e a Kátia rezando para chegármos interias.
O carro tinha lama até o teto . Eu tinha lama em cada orifício do meu corpo e não me pergunte como! Só a sujeira da minhas unhas deve ter demorado uns 2 dias para sair. Também chovia quando chegamos em SP. Todos imundos, esgotados, loucos por um banho e uma cama quentinha.
O prejuizo foi grande: o carro custou uma nota para ser limpo, a Kátia ficou sem celular e todos gastamos uma grana para nada. Se isso não foi um fiasco total, eu não sei o que seria! Grande Experience!
Nunca mais fui numa Rave, mas ao menos, ganhei uma história para contar.